Aprenda o que é diáspora comendo soul food

Bronx, Harlem, Brooklyn, Baltimore. Exploramos um trecho afro do nordeste dos Estados Unidos. Foram 30 dias de rolês, visitas, discussões e conscientização. Eu precisava escrever a respeito, mas não sabia como exatamente. Foi uma garfada de soul food que me mostrou como.

Eu contei com a melhor pessoa para me apresentar os Estados Unidos: minha truta Marta Celestino. Ela não é deslumbrada, como os que idolatram tudo que é americano, mas também não vê o país como um lugar onde só existem destruidores da terra. Ao invés destes extremos, age naturalmente, reconhecendo que o país está em outro estágio do capitalismo e tratando os americanos como cidadãos do mesmo planeta que o seu. E além disso, foi parceira de larica. Cozinhamos todos os dias, testamos vários restaurantes e comemos sem vergonha nas casas alheias.

DSC_0007O studio que alugamos fica próximo ao cruzamento da Lenox com a MalcomX, no Harlem.

Três semanas de New York e uma das grandes surpresas chega na hora de comer. BigMac e outras junkie foods têm menos conexão com a nossa comida brasileira do que a deliciosa soul food que eu descobri. Tem arroz, feijão, carnes cozidas, folhas e vegetais refogados. E o tempero? E o jeito de servir? Tudo com aquele gosto em fazer da hora de cozinhar uma parte divertida do rolê. Sabores muito similares aos de Minas ou da Bahia. Era minha comida preferida. Quando dei a primeira garfada num banana pudding, senti que tamo junto mesmo.

DSC_0204DSC_0209Um brunch com Soul Food é tão gourmet e tão gostoso quanto um almoço na casa da vó.

Nós temos irmãos no Hemisfério Norte. Eles são parte da mesma diáspora de africanos arrancados de casa para serem escravos nas Américas. Além da comida, a história é parecida cá e lá: pense em navios negreiros, fazendas, chicotes, capitães do mato. Pense na música: como o Samba e o Rock nasceram negros e caíram no gosto da sociedade racista. Pense no linguajar: a slang nos Estados Unidos e a gíria no Brasil.

DSC_0300Pixo no Bronx

DSC_0030Parece Brasil, mas é Bronx.

DSC_0195O Shrine promove shows com bandas africanas em seu espaço underground em Manhattan.

Ainda estou descobrindo essa ligação mais forte que o esperado, reconhecendo as semelhanças e diferenças entre nossas sociedades, mas já posso afirmar que a luta deles é bem parecida com a nossa. Gentrificação, inclusão social, violência da polícia são temas recorrentes nos jornais e rodas de conversa tanto aqui como lá. Mas… nos Estados Unidos, eu vi mais homens e mulheres negros “bem sucedidos” (senti necessidade destas aspas).

DSC_0362Em Baltimore, homenagem a Freddie Gray, um jovem negro morto durante abordagem policial.

11350766_942728132416221_627594194638449206_nTambém em Baltimore, entrevisto o líder comunitário John P. Comer da organização Maryland Communities United.

Para terminar, sugiro que procure no Google por “Soul Food”.

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