BIG Festival 2017 – Games em projetos educacionais

GAMES E EDUCAÇÃO: OI FUTURO, GOETHE INSTITUT E ESCOLA DA VILA

O BIG Festival (Brazil’s Independent Games Festival) aconteceu entre 24/06 e 02/07 em São Paulo e reuniu a comunidade gamer em rodadas de debates, negócios e premiações.

Uma das seções mais interessantes do evento foi a BIG Impact com palestras focando no impacto social, ambiental e cultural dos games. Os temas abordados foram desde jogos como ferramenta de educação  até como a indústria de games pode melhorar a vida nas cidades e apoiar a diversidade.

Palestra “BIG Impact – Experiências de aprendizagem baseada em jogos – Casos práticos”. Foto: Isaac Trabuco/Plexo Arts.

Assisti ao painel “BIG Impact – Experiências de aprendizagem baseada em jogos – Casos práticos”. A conversa foi mediada por Jean Tomceac do Coletivo Jogo Limpo. Foram três participantes:

Renata Akemi, da Escola da Vila, mostrou como a programação pode ser ensinada a crianças antes mesmo do ensino fundamental, usando Scratch Jr. Estes alunos, mesmo não alfabetizados, podem criar seus jogos e apresentar o projeto a outras turmas. Renata mostrou também que alunos de turmas mais avançadas criaram um projeto que extrapola os computadores e celulares. Colegas de outras turmas tinham de “caçar” um tesouro e as informações para chegar até ele estavam escondidas em QR codes espalhados por toda a escola. Também foi mencionado o MIT App Adventure como recurso para ensinar programação.

O palestrante seguinte, Luiz Francisco atua como educador na escola do Projeto Nave – Oi Futuro em Recife/PE. Ele mostrou como a programação entrou no currículo da Escola para apoiar o trabalho do professor, e não sobrecarregá-lo. Basicamente, fica óbvio que o projeto com games deve ser pensado considerando as atividades e grades atuais dos alunos e professores, pois ambos podem já estar com a agenda apertada. Outro ponto: estimular as meninas a atuarem mais com programação, pois elas ainda sentem, com razão, que a área de desenvolvimento de games é para os garotos.

Por fim, o Goethe Institut enviou um especialista para contar como estão investindo em aplicativos para aprender alemão. São jogos gratuitos que você pode baixar para jogar no celular. Literatour, por exemplo, explora narrativas de clássicos da literatura. Consulte também o Heiße Kartoffel outros games para aprender alemão.

Além das palestras do BIG Impact, o BIG Festival 2017 também ofereceu prêmio em dinheiro para o vencedor do Troféu BIG 2017 na categoria “Melhor Jogo Educacional ou de Impacto Social”. E o vencedor foi  Orwell (Osmotic Studios), da Alemanha. Confira quais foram os concorrentes e a lista de todas as categorias/vencedores do Troféu BIG 2017.

PITCHING NIGHT NO GOOGLE CAMPUS

A pitching night foi organizada em parceria com a Swissnex e a The Hive Brasil. Selecionados para o evento deveriam apresentar o seus jogos em 3 minutos com slides que trocavam automaticamente a cada 20 segundos. O formato de apresentação é baseado no estilo Pecha Kucha.

Interessante a escolha de participantes da ETEC Pirituba, uma escola técnica pública localizada na periferia de São Paulo. Grande parte dos participantes eram suíços e as apresentações, mesmo de alguns brasileiros, eram feitas em inglês. (Fotos por Isaac Trabuco/Plexo Arts)

ÁREA DE EXPOSIÇÃO – CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

As atividades do Festival BIG estavam concentradas no Centro Cultural São Paulo. Veja a seguir algumas cenas registradas no local. (Fotos por Isaac Trabuco/Plexo Arts)

 

Plexo lança Websérie sobre a Diáspora gravada em NY

A Ebony English em parceria com a Plexo Art & Media acaba de lançar a websérie original Diaspora Connnections, gravada em Nova York.  A série traz entrevistas com integrantes da comunidade afro global e mostra que há muitas semelhanças entre a situação dos negros ao redor do mundo.

O objetivo da Ebony com o lançamento é dar um passo além e diversificar seu conteúdo na missão de fortalecer e promover o reconhecimento da identidade negra através de trocas culturais e ensino da língua.

Assista abaixo o vídeo promocional:

A primeira temporada foi gravada em New York e Baltimore e conta com 5 episódios que você acompanha aqui na página da Ebony. Convidamos nosso público e alunos a se desafiarem e assistirem e interagirem com os vídeos em inglês. Go ahead!

Diaspora Connections - Websérie original Ebony English

 

Caixa Belas Artes no cruzamento da Consolação com a Paulista

Roteiro de Cinemas de Rua na Paulista

Começo a retomar com este post uma série que escrevi originalmente para o blog Innaugusta Style descrevendo as salas de cinema de rua na região da Avenida Paulista, em São Paulo.

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Cine Marabá em 1945. Fonte: Revista Acropole: arquitetura, urbanismo e decoração.
Do blog Salas de Cinema de SP.

Por que cinema de rua?

As primeiras salas de cinema no mundo eram localizadas em teatros suntuosos frequentados pelas classes mais favorecidas. Rolava todo um glamour para prestigiar as sessões e a classe trabalhadora não acessava esse lazer. Com o tempo, a indústria do cinema foi crescendo e, para ampliar o público, promoveu a popularização dos complexos de cinema dentro dos shoppings centers (Cinemark, Play Arte, Kinoplex, etc.).

Complexos de cinema em shoppings centers são a base do chamado circuito comercial. Este circuito se contrapõe ao chamado circuito de arte, baseado principalmente em cinemas de rua.

Caixa Belas Artes no cruzamento da Consolação com a Paulista

Caixa Belas Artes no cruzamento da Consolação com a Paulista.

Por que Avenida Paulista? 

Aqui em São Paulo, as salas da primeira era do cinema na cidade se dividem em dois grupos:

As que ficam no centro velho, entraram em decadência e foram fechadas ou transformadas em igrejas e espaços para filmes pornô. O Cine Marabá, no térreo de hotel de mesmo nome, é uma exceção. Restaurado, adotou a bandeira Play Arte e faz parte do circuito comercial.

Na região da Avenida Paulista, a partir dos anos 70, começam a surgir salas com programação alternativa que resistiram, ganharam status de espaço cultural e estão na ativa até hoje. Filmes de arte, independentes e do mercado nacional têm espaço garantido nesse circuito alternativo de cinemas de rua da Paulista.

Outro ponto a se destacar é o fato de a região da Paulista contar com mais opções de transporte, sendo relativamente prático para se chegar partindo de qualquer ponto da cidade. A acessibilidade para deficientes, comparada ao padrão das cidades brasileiras, também é um diferencial tanto fora das salas quanto dentro delas.

Piso tátil e acessibilidade para cegos no CineSesc

Piso tátil e acessibilidade para cegos no CineSesc.

Quais salas integram o circuito da Paulista? 

Não há um circuito definido oficialmente. Fiz a seleção pensando nas salas que podem ser acessadas a pé a partir das estações de metrô na Paulista (principalmente Metrô Consolação).

Café do Espaço Itaú de Cinema

Café do Espaço Itaú de Cinema.

Comparativo das salas e mapa do roteiro

Preparei o comparativo a seguir com destaques e endereço de cada uma sala pra você percorrer o circuito como quiser.  Clique no nome da sala para acessar o site e conferir a programação em cartaz. 

CineSesc R. Augusta, 2075 Melhor cineclube e melhor bomboniére segundo Ranking Guia da Folha 2016.
Cine Livraria Cultura Av. Paulista, 2073 Ao lado da Livraria Cultura, um passeio à parte.
Reserva Cultural Av. Paulista, 900 Café com vista para a calçada da Paulista.
Caixa Belas Artes R. da Consolação, 2423 Programação diversificada e preços promocionais.
Espaço Itaú de Cinema R. Augusta, 1475 Maior número de salas. Café com pátio arejado e silencioso.

Consulte também o mapa a seguir para localizar as salas, note que são todas próximas á estações de Metrô. A CineSesc fica um pouco mais distante que as demais e você vai precisar enfrentar uma ladeira. Use também ônibus, táxi ou Uber se preferir. Bom passeio!

Mapa com o roteiro a pé de cinema de ruas na região da Avenida Paulista com a Rua Augusta.

Acesse aqui o mapa com o roteiro a pé de cinemas de ruas na região da Avenida Paulista com a Rua Augusta.

Ativista urbano: 3 passos para ser mais realista sobre smart city

Se você é um entusiasta da vida nas cidades, assim com eu, você deve ter ouvido falar sobre smart city (cidade inteligente) ou até está trabalhando com isso. Mas há algumas questões que talvez não estejamos focando como deveríamos (veja o fracasso da Leap Transit em San Francisco). Comecei a pesquisar o tema de revitalização urbana e defesa de políticas públicas numa pós-graduação em mídia e cultura que fiz na ECA-USP. De lá para cá tenho lido e escrito a respeito.

Recentemente, descobri dois autores que criticam a abordagem mais comum sobre smart cities. Fedor Novikov é uma amante das cidades como nós e com sua empresa, a Asmbld, está dando forma ao futuro com robôs. Ele também vem escrevendo sobre a relação entre meio ambiente urbano e tecnologias. Em um artigo recente, Novikov explica como o conceito “smart city” está fortemente vinculado às grandes corporações, como CISCO e IBM, e a seus interesses. Mas ao invés de nos aconselhar a evitar o conceito, Novikov alarga nossa visão sobre ele, mostrando as ligações ente smart city, história e política.

O grande insight do artigo do Novikov para mim é a noção de que nós não precisamos necessariamente da CISCO ou IBM para começar um projeto de smart city. Há uma grande variedade de dados sendo produzida por companhias das mais diversas áreas que poderia ser usada para alimentar soluções tecnológicas. É assim, por exemplo, que dados atualizados em tempo real, como a atividade no Twitter e as informações de uso de telefonia celular, podem ser usados para projetos urbanos, mesmo que não tenham sido produzidos para este propósito.

The company Habitadum has used Twitter activity data to feed its project for Denver downtown renovation.

A companhia Habitadum usou a atividade do Twitter como fonte para seu projeto de renovação do centro Denver.

Claro que grandes companhias podem ser necessárias em algum estágio do projeto, mas, como vimos, “smart city” é um conceito mais amplo que apenas negócios e tecnologia. Há também uma abordagem política, econômica e social. Não é apenas uma novidade bacana, é uma saída crucial para qualquer cidade que queira prosperar num mundo cada vez mais modelado pela sociedade da informação. Estas reflexões estão no artigo 6 inconvenient truths about Smart Cities, escrito por Rick Robinson.

Robinson é um executivo de TI que atua com tecnologias de smart city em larga escala, usando recursos relacionados à Internet das Coisas (IoT). No artigo citado, ele explica os riscos de deixar as grandes companhias liderarem as mudanças e mostra os benefícios de ter líderes ativos e cidadãos trabalhando para moldar o mercado e demandar as empresas. Com isso, é possível tornar os conceitos de “smart city” mais aderentes ás comunidades e, ao mesmo tempo, em larga escala.

A partir destas duas perspectivas e da minha experiência com estudos culturais, fiz uma lista como três ações recomendáveis para se tornar mais realista sobre smart city e suas tecnologias, como a IoT:

  • Comece agora  —  Ficar imaginando o quão incrível é a tecnologia não vai te dar a noção de como realizar um projeto na sua realidade local. Uma pesquisa inicial já ajuda.
  • Encontre parceiros —  Á medida que você desenvolve seus planos (um estudo, um artigo, um empreendimento), você vai conhecer as pessoas certas para convidar.
  • Compartilhe —  Smart City tem tudo a ver com comunidade. As pessoas vão curtir saber sobre projetos desenhados para melhorar a vida delas. Convide-as a participar e ouça os feedbacks.

Independente de você estar almejando toda sua cidade ou apenas uma pequena comunidade, lembre-se que você precisa de uma abordagem mais realista para tocar um projeto de smart city, a partir de uma perspectiva humana e sustentável.

Visitantes de stands na SXSW experimentam a Realidade Virtual (VR)

A Realidade Virtual (VR) está chegando com força

Hoje começa a chegar o Oculus Rift aos americanos que já o encomendaram e estão todos falando sobre Realidade Virtual, conhecida pela sigla VR. O assunto vem ganhando destaque da mídia especializada em tecnologia, como o portal WIRED e em feiras como a Game Developer Conference e o SXSW (South by Sowthwest) 2016, evento que reúne o que há de mais trendy no mundo da cultura digital.

Você já deve ter ouvido falar de VR e talvez até tenha experimentado em alguma exposição de arte eletrônica (a FILE, por exemplo). Trata-se de uma linguagem e um meio digital para apresentar obras audiovisuais. A VR é bem mais imersiva que o cinema 3D: para interagir (e não apenas “assistir”) com a VR você também coloca um óculos, mas é você que controla a câmera ao movimentar a cabeça e direcionar seu olhar. É como um videogame open world (mundo aberto): um universo criado pelos desenvolvedores fica disponível para ser explorado por cada “usuário”.

E é justamente a indústria dos games, mais do que a do cinema arrisco dizer, que vem dando força à VR.

Visitantes de stands na SXSW experimentam a Realidade Virtual (VR)

Gadgets começam a chegar aos consumidores

Para navegar em obras de Realidade Virtual, cada usuário deve utilizar um óculos para total imersão nos universos desenvolvidos pelos criadores. Imagine um filme de terror em que você mesmo, e não o personagem do filme, deve se locomover em um hospital abandonado e mal iluminado? Você está na sala de sua casa, mas totalmente imerso no ambiente através do óculos de VR.

Dois modelos são destaque no mercado atualmente:

Oculus Rift (Samsung)

  • Você precisa de um PC com windows para rodar jogos e filmes.
  • Um sensor, estilo o Kinect do Xbox, detecta seus movimentos e os transfere para o ambiente virtual.
  • Um joystic é usado para otimizar os controles.
  • Interessados já podem comprar o Oculus com previsão de entrega em Julho/2016.

https://www.youtube.com/watch?v=IreEK-abHio

 

Playstation VR

  • Para ser usado em conjunto com o Playstation 4.
  • As lâmpadas led embutidas no controle Dualshock e nos óculos funcionam como sensores de movimento e são captadas pela PlayStation Camera, que deve ser acoplada ao console.
  •  Lançamento previsto para Outubro de 2016.

DEEP – O universo VR cada vez mais pessoal

É bastante razoável se questionar se a Realidade Virtual é benéfica para a saúde física, mental, espiritual, metafísica, etc. A total imersão em um universo gerado por computador por muitas horas traz mais riscos que a exposição prolongada ao Netflix ou Game Box? Ver pornografia em VR é uma boa ideia?

Questões como esta ganham mais espaço à medida que a VR chega a mais lares. Ainda teremos muitos debates a respeito, mas já há pelo menos um exemplo de Realidade Virtual usada para o bem-estar.

Como muitos desenvolvedores/programadores, e tantos outros profissionais hoje em dia, o Game Designer Owen Harris  se viu lutando contra a depressão e a ansiedade.  Ele usou a meditação e técnicas de respiração para superar as crises e viver melhor.  Desta experiência, surgiu a ideia de criar DEEP, uma espécie de universo submarino para onde se pode escapar ao final do dia para relaxar.

DEEP é controlado pela respiração e possui áudio bem relaxante. É a prova de que o universo VR deve se tornar cada vez mais uma experiência pessoal, a serviço de muitos propósitos além do puro entretenimento.

 

 

Missão: Revitalização da Mooca

MOOCA, 2016

500 anos de transformações


Diversas cidades ao redor do mundo estão passando por processos de readequação urbanística e revitalização.  À medida que os conceitos relacionados à vida na cidade evoluem, os espaços tendem a ser alterados também, não apenas as ruas e locais públicos, mas também o interior dos edifícios.

Com mais de 500 anos de história, a Mooca se prepara para o seu processo de revitalização. Evidentemente isto traz uma série de desafios. Entenda como se deu a formação do bairro, seu momento atual e os projetos para transformá-lo num polo de economia criativa, encabeçados pela prefeitura e a associação Distrito Mooca.

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Combinação de construções de séculos e décadas diferentes na região da Estação Juventus - Mooca. Foto: Isaac Trabuco.

DISTRITO MOOCA

Um sonho urbanístico começa a tomar forma


As festas hipsters no cemitério de trens, os botecos e hamburguerias gourmets, além do projeto da prefeitura de transformar os antigos galpões num polo de economia criativa. Diversos fatores apontam para um processo de modernização do bairro.

Pense no que virou os prédios vazios ou subutilizados do MeatPacking District, em New York. Lembre-se de Kreuzberg, antigo bairro operário em Berlin que se tornou um dos pontos mais hypes da cidade.

Seguindo o exemplo dessas cidades, o papel de associações de moradores como Distrito Mooca e Mooca Verde são fundamentais para tirar projetos do papel.

Ainda são poucos os de fora que se arriscam a atravessar o Tamanduateí, mas o pessoal da região já se ligou e vem aproveitando melhor o bairro.

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Cenas dos bares da Mooca: Cadillac Burger, Cateto (créditos: divulgação) e Shake Baby (crédito: Universo Retrô)

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Festa no espaço Nos Trilhos. O local abriga a antiga estação onde os imigrantes chegaram e um cemitério de trens. Crédito: Caos Ótico.

Exemplos que deram certo no mundo


Puerto Madero, Buenos Aires

Após décadas de abandono, o governo central e municipal constituem uma empresa privada para revitalizar a região portuária. Um acordo firmado com o governo de Barcelona resultou no plano estratégico que guiou o processo.

A nova empresa obtém a aprovação de norma que define o complexo como área de preservação patrimonial.

Participação do público: Houve um concurso com arquitetos e urbanistas locais para elaboração do projeto urbano.

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Antes e depois do Puerto Madero. Créditos: Arcón de Buenos Aires (antes) e Corporación Antiguo Puerto Madero (depois).

Kreuzberg, Berlin

Edifícios habitacionais do começo do século XX degradados, vestígios dos bombardeios da guerra, grandes avenidas degradando a paisagem, poluição.

Para reverter o quadro que se repetia em diversos bairros, o Senado Alemãoinstituiu a Internationale Bauausstellung Berlin - IBA. As intervenções requalificaram as residências e os locais públicos sem expulsar os moradores, imigrantes em grande parte.

Participação do público: Diversos concursos internacionais convocaram arquitetos e urbanistas para contribuir com o projeto da IBA. Além disso, foi a ocupação de imigrantes, punks e ativistas que manteve o bairro como um centro de cultura alternativa e o salvou da especulação imobiliária.

(BARBEIRO, Heloisa H. Adensamento e Habitação no Centro: novas moradias para Luz. Tese de Graduação. FAUMACK: São Paulo, 2009.)

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Antes e depois de Kreuzberg. Créditos: Noirberts Artige Fotos (antes) e Clube KaterHolzig/Resident Advisor (depois)

Meatpacking District, New York 

Quando os galpões de processamento e depósito de carnes são desativados, essa região sofre degradação.

Respondendo a demanda da comunidade local, a prefeitura forma um comitê para recuperar o bairro envolvendo associações comunitárias e iniciativa privada.

O projeto é considerado um sucesso e conseguiu transformar a região num centro turístico e de vida noturna na já agitada metrópole.

Participação do público: além de concursos para a participação de arquitetos, as associações comunitárias, interessadas na revitalização do bairro, mobilizaram a população para pressionar governo e iniciativa privada.  Adeptos da contracultura que frequentavam a região nos anos 70, principalmente LGBT's, foram importantes para forjar a vocação do bairro.

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Antes e depois do Meatpacking District. Créditos: The Benjamins (antes) e Kenn Tam/Julia Robbs/Airbnb (depois).

O TOPO DA SERRA

Uma comunidade alternativa


Tudo começa com a subida de Anchieta e dos Bandeirantes vindo de Santos e São Vicente. Eles abrem os caminhos que até hoje orientam parte de São Paulo e se instalam num planalto, no topo da serra, às margens do Tamanduateí.

Em 1560, a Mooca é uma ocupação vizinha aos jesuítas, na outra margem do rio, e já está na ativa: português guerreando com os índios, vendendo escravos e fornecendo suprimentos para as bandeiras que passavam ali. Todo mundo transando com todo mundo e plantando milho e algodão. Esqueça o português, aqui só se fala tupi.  

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Ilustações de Wasth Rodrigues mostram cenas cotidiana da povoação de São Paulo de Piratininga.

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Planta da Cidade de São Paulo levantada pela Companhia Cantareira de Esgotos em 1881 (clique para ampliar). A Mooca e o Brás eram regiões menos urbanizadas na margem leste do Tamanduateí. Fonte: Secretaria de Estado de Economia e Planejamento.

FORJADA NOS TRILHOS

Pela indústria e pelos imigrantes 


A subida partindo do porto, que no início era feita a pé, vira estrada para cavalos. Só os fortes sobrevivem aos 3 dias de aventura.

A situação muda quando, em 1880, é construída a estrada de ferro. Milhares de europeus começam a subir a serra. O trem segue para Jundiaí, mas o destino de muitos é a Hospedaria dos Imigrantes, que fica na Mooca.

A industrialização ao longo do eixo ferroviário e o loteamento  e venda das propriedades do Engenheiro Carlos Abrão Bresser vão dando forma a uma vila operária. A italianada domina o pedaço.

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Desembarque na hospedaria dos Imigrantes (foto: Museu da Imigração).

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Vendedores de pães nas ruas do Bairro (foto: acervo Portal da Mooca).

NON DVCOR DVCO

"Não sou conduzido, conduzo"


Isolada do litoral, São Paulo fica fora do eixo por 300 anos. Marginal e independente, desenvolve vocação de revolucionária. A Semana de Arte Moderna, a Revolução de 32 e até as Reformas de Haddad demonstram isso.

Como se estivesse respondendo à vocação, a Mooca se rebela contra o governo e os patrões. Vira palco de greves, manifestações comunistas e movimentos anarquistas. Imigrantes europeus com idéias revolucionárias criam uma Praça Vermelha, em homenagem a Moscou, no cruzamento da Paes de Barros com a Rua da Mooca.

Em 1924, o bairro é bombardeado pelo governo.

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Impresso conclamando os imigrantes operários na publicação anarquista "Guerra Sociale", umas das mais influentes na grande Greve de 1917. Fonte: Blog História em Sampa.

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Postal mostrando o resultado do bombardeio no Cotonifício Crespi durante a Revolução Tenentista, em 1924.

FUGA DO CENTRO

Os moradores e a indústria deixam a Mooca


A partir dos anos 50 a urbanização se acelera. Uma nova onda de recém-chegados, desta vez de Minas Gerais e do Nordeste principalmente, vem para trabalhar na cidade. Em poucas décadas, a população se multiplica sem planejamento e os problemas aparecem.

A falta de políticas para habitação e as dificuldades em se obter moradias estimulam a informalidade. Enquanto os assentamentos precários fazem a periferia crescer, a área central é esvaziada e sofre degradação. Sé, Bela Vista, Luz, Parque Dom Pedro, Brás, Cambuci, Mooca... surgem os cortiços do centro.

Com o desenvolvimento rodoviário, a ferrovia perde importância. As indústrias começam a migrar para o interior e outros estados, deixando para trás galpões vazios na orla ferroviária.

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Fachadas na Rua da Mooca em fotos recentes. A região ainda sofre os efeitos do esvaziamento ocorrido no centro (Fotos: Isaac Trabuco).

A REOCUPAÇÃO

Tensão social e problemas ambientais


A partir dos anos 2000, a classe média começa a reocupar a Mooca e parece desejar uma higienização do bairro. Chegam também os imigrantes da Bolívia, Peru e China. Há uma tensão entre os que defendem e os que são contra a reserva de espaço para moradias populares. A ocupação de imóveis abandonados e baixada de viadutos por sem-tetos é outra polêmica.

Os problemas ambientais também se tornam mais evidentes: a Mooca é o bairro de São Paulo com os menores índices de áreas verdes e apresenta solo contaminado pela atividade industrial.

O Plano Diretor, elaborado com a participação dos moradores, promete estimular a ocupação do bairro, controlando a gentrificação, preservando o patrimônio cultural e promovendo a melhora do quadro ambiental. Mas como se dará a integração dos novos moradores e com os residentes atuais? Olhar para o exemplo de Berlin e seus Neighborhood Managements pode ser uma inspiração.

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Construtoras de perfis diferentes, como Cyrela e Engelux, oferecem lançamentos no bairro.

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Acima: local onde havia uma lagoa frequentada pelos moradores. Aterrada, serviu como depósito de combustíveis da Esso. Após a desativação do depósito, o local foi adquirido por uma construtora e repassado à Prefeitura, que queria construir habitações populares ali. Sob pressão dos moradores, todo o terreno vai virar parque após descontaminação. Fotografia: Isaac Trabuco.

Encrespa Geral na Casa das Caldeiras - SP

A transição para o cabelo saudável e natural

Uma mulher decide parar de alisar o cabelo após 20 anos de escovas e químicas. Por que ela tomou essa decisão? Como se reconheceu após tantos anos acostumada a ver seus cabelos lisos no espelho?

O Plexo Arts foi convidado a criar um vídeo que conta como essa revolução pessoal na vida de Eliane Serafim deu origem ao coletivo Encrespa Geral. Já são milhares de meninas e mulheres espalhadas pelo Brasil e em todos os continentes que contam com o apoio do coletivo na hora de assumir a beleza natural dos seus cabelos.

Saúde, beleza, bem-estar, identidade, auto-estima. O vídeo acompanha a narração didática da Eliane e pode ser útil para conscientizar as pessoas sobre os desafios e benefícios da transição para o cabelo natural.

Soul food do sul dos Estados Unidos

Aprenda o que é diáspora comendo soul food

Bronx, Harlem, Brooklyn, Baltimore. Exploramos um trecho afro do nordeste dos Estados Unidos. Foram 30 dias de rolês, visitas, discussões e conscientização. Eu precisava escrever a respeito, mas não sabia como exatamente. Foi uma garfada de soul food que me mostrou como.

Eu contei com a melhor pessoa para me apresentar os Estados Unidos: minha truta Marta Celestino. Ela não é deslumbrada, como os que idolatram tudo que é americano, mas também não vê o país como um lugar onde só existem destruidores da terra. Ao invés destes extremos, age naturalmente, reconhecendo que o país está em outro estágio do capitalismo e tratando os americanos como cidadãos do mesmo planeta que o seu. E além disso, foi parceira de larica. Cozinhamos todos os dias, testamos vários restaurantes e comemos sem vergonha nas casas alheias.

DSC_0007O studio que alugamos fica próximo ao cruzamento da Lenox com a MalcomX, no Harlem.

Três semanas de New York e uma das grandes surpresas chega na hora de comer. BigMac e outras junkie foods têm menos conexão com a nossa comida brasileira do que a deliciosa soul food que eu descobri. Tem arroz, feijão, carnes cozidas, folhas e vegetais refogados. E o tempero? E o jeito de servir? Tudo com aquele gosto em fazer da hora de cozinhar uma parte divertida do rolê. Sabores muito similares aos de Minas ou da Bahia. Era minha comida preferida. Quando dei a primeira garfada num banana pudding, senti que tamo junto mesmo.

DSC_0204DSC_0209Um brunch com Soul Food é tão gourmet e tão gostoso quanto um almoço na casa da vó.

Nós temos irmãos no Hemisfério Norte. Eles são parte da mesma diáspora de africanos arrancados de casa para serem escravos nas Américas. Além da comida, a história é parecida cá e lá: pense em navios negreiros, fazendas, chicotes, capitães do mato. Pense na música: como o Samba e o Rock nasceram negros e caíram no gosto da sociedade racista. Pense no linguajar: a slang nos Estados Unidos e a gíria no Brasil.

DSC_0300Pixo no Bronx

DSC_0030Parece Brasil, mas é Bronx.

DSC_0195O Shrine promove shows com bandas africanas em seu espaço underground em Manhattan.

Ainda estou descobrindo essa ligação mais forte que o esperado, reconhecendo as semelhanças e diferenças entre nossas sociedades, mas já posso afirmar que a luta deles é bem parecida com a nossa. Gentrificação, inclusão social, violência da polícia são temas recorrentes nos jornais e rodas de conversa tanto aqui como lá. Mas… nos Estados Unidos, eu vi mais homens e mulheres negros “bem sucedidos” (senti necessidade destas aspas).

DSC_0362Em Baltimore, homenagem a Freddie Gray, um jovem negro morto durante abordagem policial.

11350766_942728132416221_627594194638449206_nTambém em Baltimore, entrevisto o líder comunitário John P. Comer da organização Maryland Communities United.

Para terminar, sugiro que procure no Google por “Soul Food”.

Missão: Berrini

Placa da Berrini com o novo padrãoCórrego sob a Berrini

Paralela à Marginal Pinheiros, construída sobre um pântano, o antigo dreno do Brooklin. Em menos de uma década a Avenida Berrini transforma a região em um grande centro empresarial.

Um bom lugar!

O mais novo cartão postal de São Paulo, a tal Ponte Estaiada, erguido no final da Berrini e nas proximidades da nova sede da Tv Globo, reforça a ideia da região como símbolo do progresso paulistano.

Adeus, favelas. As pessoas entendem, São Paulo precisa de centros financeiros consolidados.  Avenida Água Espraiada vira Avenida Roberto Marinho. E nem uma viela com o nome de Sabotage, o maestro da favela do Canão.

A ponte símbolo do progressoA escalada continua

Thousand of offices

Uma disputa entre a Avenida Paulista e Berrini pelo título de top de São Paulo? Bullshit!

Desde o início de sua escalada, a Berrini é corporativa, respira trabalho.  Difícil encontrar ali um centro cultural, uma balada alternativa, teatros.

Até artistas de rua, tão comum em outros pontos movimentados da cidade, não se vê por aqui.

Fora da caixa

Executivos, funcionários, profissionais liberais. É possível furar a rotina. Estratégias de marketing, linguagem de programação,  arquitetura da informação e manobras financeiras podem ser aplicadas também além dos escritórios, nas ruas da fria Berrini.

Galeria fria dos officesJardineiro, música no fone de ouvido, manhã
Publicado originalmente em 17 de abril de 2010

 

Catálogo Festival Sesc

41º Festival Sesc de Melhores Filmes – Lista dos vencedores

Pesquisando na web, não pude encontrar a lista com os vencedores da edição 2015 do Festival Sesc de Melhores Filmes. Nem no site oficial encontrei esta lista.

Fui ao Cinesesc para ver o chileno Glória (muito bom!) e consegui este catálogo com o carinha da bilheteria:

Catálogo Festival Sesc

Esse catálogo informa a lista de vencedores:


VENCEDORES CRÍTICA

NACIONAIS ESTRANGEIROS
Filme
O Lobo atrás da PortaDocumentário
Sem Pena

Direção
Fernando Coimbra
O Lobo Atrás da Porta

Ator
Guilherme Lobo
Hoje eu Quero Voltar Sozinho

Atriz
Leandra Leal
O Lobo Atrás da Porta

Roteiro
Fernando Coimbra
O Lobo Atrás da Porta

Fotografia
Ali Olcay Göscaya
Praia do Futuro

Filme
Boyhood – Da infância à JuventudeDireção
Richard Linklater
Boyhood – Da infância à Juventude

Ator
Jake Gyllenhaal
O Abutre

Atriz
Marion Cottillard
Era uma vez em Nova York

 VENCEDORES PÚBLICO

NACIONAIS ESTRANGEIROS
Filme
Hoje eu Quero Voltar SozinhoDocumentário
Ilegal

Direção
Daniel Ribeiro
Hoje eu Quero Voltar Sozinho

Ator
Babu Santana
Tim Maia

Atriz
Leandra Leal
O Lobo Atrás da Porta

Roteiro
Daniel Ribeiro
Hoje eu Quero Voltar Sozinho

Fotografia
Ali Olcay Göscaya
Praia do Futuro

Filme
12 Anos de EscravidãoDireção
Richard Linklater
Boyhood – Da infância à Juventude

Ator
Joaquin Phoenix
Ela

Atriz
Angelina Jolie
Malévola

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