BIG Festival 2017 – Games em projetos educacionais

GAMES E EDUCAÇÃO: OI FUTURO, GOETHE INSTITUT E ESCOLA DA VILA

O BIG Festival (Brazil’s Independent Games Festival) aconteceu entre 24/06 e 02/07 em São Paulo e reuniu a comunidade gamer em rodadas de debates, negócios e premiações.

Uma das seções mais interessantes do evento foi a BIG Impact com palestras focando no impacto social, ambiental e cultural dos games. Os temas abordados foram desde jogos como ferramenta de educação  até como a indústria de games pode melhorar a vida nas cidades e apoiar a diversidade.

Palestra “BIG Impact – Experiências de aprendizagem baseada em jogos – Casos práticos”. Foto: Isaac Trabuco/Plexo Arts.

Assisti ao painel “BIG Impact – Experiências de aprendizagem baseada em jogos – Casos práticos”. A conversa foi mediada por Jean Tomceac do Coletivo Jogo Limpo. Foram três participantes:

Renata Akemi, da Escola da Vila, mostrou como a programação pode ser ensinada a crianças antes mesmo do ensino fundamental, usando Scratch Jr. Estes alunos, mesmo não alfabetizados, podem criar seus jogos e apresentar o projeto a outras turmas. Renata mostrou também que alunos de turmas mais avançadas criaram um projeto que extrapola os computadores e celulares. Colegas de outras turmas tinham de “caçar” um tesouro e as informações para chegar até ele estavam escondidas em QR codes espalhados por toda a escola. Também foi mencionado o MIT App Adventure como recurso para ensinar programação.

O palestrante seguinte, Luiz Francisco atua como educador na escola do Projeto Nave – Oi Futuro em Recife/PE. Ele mostrou como a programação entrou no currículo da Escola para apoiar o trabalho do professor, e não sobrecarregá-lo. Basicamente, fica óbvio que o projeto com games deve ser pensado considerando as atividades e grades atuais dos alunos e professores, pois ambos podem já estar com a agenda apertada. Outro ponto: estimular as meninas a atuarem mais com programação, pois elas ainda sentem, com razão, que a área de desenvolvimento de games é para os garotos.

Por fim, o Goethe Institut enviou um especialista para contar como estão investindo em aplicativos para aprender alemão. São jogos gratuitos que você pode baixar para jogar no celular. Literatour, por exemplo, explora narrativas de clássicos da literatura. Consulte também o Heiße Kartoffel outros games para aprender alemão.

Além das palestras do BIG Impact, o BIG Festival 2017 também ofereceu prêmio em dinheiro para o vencedor do Troféu BIG 2017 na categoria “Melhor Jogo Educacional ou de Impacto Social”. E o vencedor foi  Orwell (Osmotic Studios), da Alemanha. Confira quais foram os concorrentes e a lista de todas as categorias/vencedores do Troféu BIG 2017.

PITCHING NIGHT NO GOOGLE CAMPUS

A pitching night foi organizada em parceria com a Swissnex e a The Hive Brasil. Selecionados para o evento deveriam apresentar o seus jogos em 3 minutos com slides que trocavam automaticamente a cada 20 segundos. O formato de apresentação é baseado no estilo Pecha Kucha.

Interessante a escolha de participantes da ETEC Pirituba, uma escola técnica pública localizada na periferia de São Paulo. Grande parte dos participantes eram suíços e as apresentações, mesmo de alguns brasileiros, eram feitas em inglês. (Fotos por Isaac Trabuco/Plexo Arts)

ÁREA DE EXPOSIÇÃO – CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

As atividades do Festival BIG estavam concentradas no Centro Cultural São Paulo. Veja a seguir algumas cenas registradas no local. (Fotos por Isaac Trabuco/Plexo Arts)

 

Interatividade na TV Digital

Em abril deste ano, postei um resumo explicando como assitir programas da TV aberta em alta definição. Demonstrei também que já é possível interagir com as emissoras pelo controle remoto da TV LCD que você comprou.

Volto agora ao tema Tv Digital para abordar um pouco mais o ponto fraco da TV Digital aberta: a interatividade e as promessas de inclusão digital pela TV.

TV Digital aberta com Ginga

  • No Sistema Brasileiro de TV Digital, a interatividade é possível através do sistema Ginga.
  • As emissoras enviam suas aplicações interativas diretamente para a casa do usuário. Estas informações ficam armazenadas temporariamente no televisor. Para isto, a recepção deve ser realizada com uma antena UHF.
  • O usuário é avisado quando há possibilidade de interação através de ícones que as emissoras exibem na tela. O usuário interage então pressionando teclas do controle remoto.
  • As aplicações mais comuns hoje funcionam de forma semelhante ao menu de extras de um DVD: o usuário acessa informações adicionais de um programa (ex.: elenco de uma novela ou tabela de um campeonato). Nestes casos, as informações acessadas estão armazenadas no televisor.
  • Interações mais complexas necessitam que o usuário vá além das informações armazenadas no televisor. TVs conectadas à internet permitem que o usuário acesse bancos de dados maiores.
  • Em uma Tv com Ginga conectada à internet, ao invés de apenas acessar as informações que a emissora enviou para o seu televisor, o usuário pode solicitar novas aplicações e enviar informações (ex.: dados cadastrais, senhas de banco, respostas à questionários, etc).
  • Aplicações assim, com canal de retorno, ainda são minoria no Ginga e na maior parte não passam de enquetes. Porém, especialistas reconhecem seu potencial para inclusão digital.
  • No Brasil, pessoas das classes D e E raramente possuem acesso a um computador. Por outro lado, a TV está presente em quase 100% dos lares. Aplicações do Governo (agendamento de consultas pelo SUS, consulta a extratos da Previdência) ou educacionais são possíveis em qualquer TV de tubo acoplada a um conversor com Ginga (que custa em torno de R$ 250,00).
  • O ponto delicado seria o canal de retorno: como conectar esta TV à Internet? Com o Programa Nacional de Banda Larga em impantação, este pode não ser mais um grande obstáculo.

Exemplo de interação com Ginga

  • Fotografias da tela do televisor durante exibição dos Jogos Panamericanos de Guadalajara, na Record:

  • A aplicação permite exibir quadro de medalhas, notícias e agenda de jogos e eventos, entre outras informações, mas sem canal de retorno.
  • O usuário só visualiza aquilo que foi enviado pela emissora e ficou armazenado temporariamente no televisor.

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O Ginga já foi adotado por vários páises na América Latina e África, mas no Brasil, onde ele nasceu, emissoras e fabricantes ainda não estão avançando em um modelo de negócios. Neste cenário, outras tecnologias de interatividade pela Televisão avançam, veja os próximos tópicos.

TV a cabo ou via satélite interativa

  • Há algum tempo já é possível interagir com a TV. Quem assina TV a cabo já deve ter acessado guia de programação, trocado legendas e áudio de um programa ou adquirido filmes, espetáculos e partidas de esporte pelo sistema Pay-per-View. Tudo pelo controle remoto.
  • Este tipo de interatividade só é possível por que a TV está conectada à operadora de TV a Cabo. A teclas que você pressiona no controle viram comandos enviados para a operadora, que responde de volta enviando aquilo que você solicitou.
  • Replay e pause da programação também são vendidos como recursos interativos.

TV’s conectadas

  • As Tv’s conectadas estão revolucionando o mercado como um dia fizeram os celulares ao se tornarem Smartphones.
  • As smart TV’s são televisores com aplicativos interativos, como jogos, Facebook, Twitter e Youtube. Você pode acessar conteúdos da internet direto na tela da TV.
  • Os aplicativos se multiplicam: além de redes sociais, já estão disponíveis previsão do tempo, chamadas pelo Skype, compra de programas e filmes on demand (como o NetFlix e o Terra Video Store), etc…
  • Como exemplos, temos a Samsung com a função Smart Hub e a Panasonic com o Viera Conect.

Apple TV

  • É um dispositivo pequeno que o usuário acopla a um aparelho de TV.
  • Ele pode ser integrado ao iPhone (que funciona como um controle remoto da Apple TV) e iPad (para exibir na TV o que se vê na tela do iPad).
  • O Apple TV também reproduz os arquivos salvos no iCloud e possui aplicativos semelhantes aos das TV’s conectadas.

IPTV – TV pela internet

  • As TVs podem transmitir conteúdos relacionados à sua programação pela internet.
  • A TV cultura por exemplo possui o portal Cmais, onde os usuários assistem a programas ao vivo e podem interagir em salas de bate papo monitoradas pela emissora. Assuntos do bate-papo eventualmente entram no programa exibido no ar. Os usuário também pode compartilhar o programa no mural do Facebook ou pelo Twitter.